quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

...Acreditar que a maturidade não é acertar sempre, chorar pouco, se decepcionar quase nada. Muito ao contrário disso, maturidade é quando conseguimos lidar com todas as turbulências da vida sem perder de nós mesmos e do nosso ideal...


O que o silêncio nos diz, é algo do campo do mais precioso, e talvez por isso seja do que as pessoas mais fogem!
Já parou pra pensar o que o silêncio significa na sua vida?? Buscamos sentido pra tudo, mas pouco paramos pra pensar no silêncio. Muitos pensam nele como o vazio, a solidão, o abandono e etc.  Mas na verdade o silêncio tem muito a nos dizer. Alguém uma vez disse que o silêncio é a voz da alma. E de forma mais poética podemos dizer que quando os lábios repousam, o coração começa a falar. É tão lindo pensar nisso! O silêncio nos propicia o encontro com nossa intimidade; nos remete a verdades não ditas e muitas vezes nem sequer vistas. Talvez seja esse o motivo pelo qual o silêncio é tão conflitante... ele nos diz coisas que não queremos  ouvir. Coisas doídas que nos machucam, nos ferem, nos colocam diante de frustrações, decepções, enfim coisas amargas. Por quanto tempo uma pessoa consegue negar o silêncio e suas verdades? Penso que não por muito. Há pessoas que lutam tanto para fugir do silêncio que se tornam barulhentas. São excessivamente eufóricas, agitadas, numa busca incessante de não se ouvir e não se ver. Richard Simonetti, um autor espírita, conta uma estória que ele denomina “ a carroça vazia”. Diz que um certo dia, um pai estava com sua filha debaixo de uma árvore, falando sobre a vida, quando de repente ouviram um barulho. Conversando sobre qual barulho seria aquele, o pai diz a filha que era um barulho de carroça. Indo mais além, o pai diz que é de carroça e especificamente de carroça vazia. A filha fica surpresa com sua colocação e o questiona sobre como pode ele saber que se trata de uma carroça e ainda mais vazia? Ele tranquilamente responde que uma carroça quando está cheia, passa pelo caminho de forma mais serena e sem tanto alarde. Ao contrário disso, quando está vazia, sacode demasiadamente pelo trajeto, provocando excessivo barulho. Finaliza dizendo que seres humanos são  como carroças, quando estão vazios passam pela vida de forma turbulenta, agitada e barulhenta. 
A partir desta estória, sempre tento avaliar como está sendo meu caminhar. E descobri que é imprescindível que todos nós façamos isso cotidianamente. Sensibilizar para perceber qual barulho estamos ecoando com o nosso caminhar; barulho de quem está  preenchido, ou barulho de quem está vazio? E engana-se quem pensa poder estar preenchido com coisas ou pessoas. O verdadeiro preenchimento se dá quando nos preenchemos de nós mesmos. Nos perceber, nos conhecer, lidar com nossos sentimentos, com nossas escolhas. Acreditar que a maturidade não é acertar sempre, chorar pouco, se decepcionar quase nada. Muito ao contrário disso, maturidade é quando conseguimos lidar com todas as turbulências da vida sem perder de nós mesmos e do nosso ideal. E tudo isso é possível a partir do silêncio...este desafiante momento onde nos deparamos com nossas dores, mas também onde damos novo rumo à nossa história. Sartre, filósofo, nos brinda, dizendo que “ um homem não é outra coisa, senão o que faz de si mesmo.” Não faça de seu silêncio um mostro, e nem de suas dores um flagelo.  Façamos nós, de nosso íntimo, a nossa força. Silenciemos antes de tudo para ouvir o que nosso coração está a tempos querendo dizer e que por algum motivo não conseguimos ouvir. Desta maneira estaremos devidamente preenchidos, dotados de uma força suprema , somente encontrada nas pessoas que se encontraram! 
Abraços...
Luciene

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