quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amor II

 

 
A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive, porque a vida não mede o tempo, mas o emprego que dela fazemos.
Gandhi
O amor é a mais bela significação que podemos dar à nossa existência. Aliás não há outra maneira de significá-la. Amor por nós, por aqueles que vêm através de nós, por aqueles que vieram antes de nós. Também por aquilo que fazemos, por aquilo que vivemos, por aquilo que temos e por aquilo que perdemos.Mas quem entende o amor? Tido por muitos como a força que move o mundo, ele é debatido, estudado, virado, revirado e vivido intensamente, mas ninguém consegue compreender os mecanismos que guiam esse intrincado sentimento. Por essa aura de mistério que o cerca e porque ele é um dos temas que mais fascinam os homens desde o início dos tempos, não param de surgir teorias e especialidades criadas com o intuito de tentar explicá-lo. Sem sucesso, diga-se de passagem. Mas da ânsia pelo esclarecimento do que parece ser incompreensível e das infinitas discussões do assunto surgem consensos. Alguns o entendem como extensão da amizade, outros o associam ao sexo, outros ainda se apresentam descrentes de sua existência. É ampla e  vasta sua compreensão por uma única razão; é um sentimento singular, determinado por inúmeras experiências afetivas que temos no decorrer de nossa existência e por que não dizer de muitas existências.  Para deixá-lo ainda mais intrigante, ele se faz presente de maneira dúbia e conflitante, sempre uma experiência mista de sentimentos. Mesclam-se ou alternam-se carência e segurança; certezas e incertezas, dor e prazer, fragilidade e força. Como vivenciam sentimentos contraditórios os apaixonados, ora ansiosos e insatisfeitos, ora sentido-se plenos e completos! Enfim, é fácil para quem ama, se perceber nesta roda viva de sentimentos.  No amor, não há a batalha vencida, não há o fim da  roda viva, não há o momento da “coisa conquistada”. A conquista é diária, a construção é minuciosa, eterna, delicada, composta de momentos sutis, palavras pequenas mas fortes, gestos delicados porém marcantes.  Mahatma Gandhi, nos diz que “a  alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita”. É um acalento ao eterno processo do amor.  O caminho constante (mas encantador) da sedução, da conquista, do desejo. O medo da perda, fazendo com que nos melhoremos na capacidade da conquista; e que nos torna melhores como ser humano na medida em que nos torna mais atentos ao outro. Mas aqui nos deparamos com um desafio; o desafio de não colocar como pino central de nossa existência ninguém mais do que nós mesmos. O lugar central  é de cada um e de ninguém mais. Amar ,( e na tentativa de se buscar o que de mais puro pode se aproximar o entendimento do amor), é saber colocar este amor no lugar certo, protegido das nossas mazelas, onde não seja sufocado, abduzido, deturpado. O amor foi criado para que os seres pudessem se sentir mais fortes para enfrentar os desafios da existência, e não para tirar a força dela. Colocar o amor por alguém no lugar errado ( e por ai podemos entender  no lugar central da própria vida), é fadá-lo ao fracasso, pois neste lugar está (ou deveria estar) a nossa essência; nossa força e nossa fraqueza, aquilo que é meu e que nem sempre preciso compartilhar( na verdade muitas delas eu preciso é vencer); neste lugar somente pode estar o amor por si mesmo. Por isso viver o amor talvez seja tão complicado; pois devemos permitir que ele esteja em todos os “compartimentos” do nosso eu, porém fragmentado na sua significação ou na sua destinação. Ao amor por si mesmo, o lugar central. Ao amor por alguém,   um lugar especial, mas não central. Um lugar onde ele possa ser na sua singularidade, na sua essência, protegido das mazelas que cada um traz na sua estória; protegido de nossos erros, de  nossas cobranças, de nossa necessidade compulsiva e doentia de querer possuir algo que ninguém até hoje nem mesmo compreendeu e decifrou, que é o amor. Um lugar que permita aos envolvidos pelo tão desafiador sentimento, a beleza de existir e ao mesmo tempo ofereça à humanidade a grandiosidade de assistir ao mais belo espetáculo do amor, que é  a fusão daqueles que se amam sem precisar possuir, sem precisar domar, e que se concentram em simplesmente AMAR.
“...aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E  ter paciência para que a vida faça o resto”.  William Shakespeare.
 

Amor

Amor

De tudo o que eu mais quero é a certeza do amor... de tudo que eu mais preciso é a sensibilidade para sentir...de tudo o que eu mais sou é a incerteza do inacabado. Tentativa constante de legitimização, de significação. Preciso ser...mas a realidade fixa na eterna incompletude; que também é bela, pois me dá a falta que me joga ao encontro de mim mesma...
Particularidades, intimidade, individualidade, seja que nome der, na vida passamos pelo constante desafio de alinhar o que é nosso com o que é do outro...
 e nesta busca desenfreada por compreender pelo menos a mim mesma, penso no amor como a principal ou talvez única motivação para esta tão sonhada comunhão.
Beijos com amor...

A vida é por demais vulnerável...



Descobrir o que é importante...o que nos é caro...o que nos é fonte de energia vibrante. Ao mesmo tempo entender que tudo é passageiro, que tudo é efêmero. Deparar-se com o movimento constante da vida e da evolução; este é um grande desafio do viver... valorizar as coisas no momento certo e ter sabedoria para gerar em nós mesmos um ambiente favorável que faça manter vivo os sentimentos que por algum motivo não queremos perder ou deixar morrer.
"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca
mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja." (Clarice Lispector)


Bom final de semana... com amor...

Um brinde aos desafios!



Vida, vida, vida, vida, como poder entender-te?
Sempre nos desafiando, nos colocando a provas. Passeia entre situações opostas
como amor e dor, medo e segurança, vazio e completude. E no meio disso tudo
...nós! Maravilhosos na arte de viver...
sim porque se assim não fosse, não estaríamos vivos agora e ainda
dispostos a entender aquilo que não é passível de ser entendido. Mas as vezes
nossa cabeça enche de histórias...de medos...de monstros. Nesse momento
precisamos ter cautela. As preocupações que muitos adultos consideram marca da
maturidade (como se para ser adulto precisássemos ser atolados de preocupações),
quando livres nos atropelam. Somos verdadeiramente anulados no nosso potencial
vivo, quando entregamos as rédeas aos fantasmas das preocupações. Cristo disse;" ...a cada dia basta o seu mal.” Mas insistimos ainda em acumular pensamentos
e situações ainda não resolvidas.  Pois hoje fica a dica... o que te preocupa, te
domina. Cuidado, muito cuidado mesmo com aquilo que compõe teus pensamentos (
tuas preocupações), pois isso também alimentará seus sentimentos. Livre-se de
tudo que é pesado...somente se entregue aos fatos quando puder dar a eles um
tom mais leve, pois somente neste momento poderá vê-los melhor e tomar o melhor
caminho. Não tenha medo dos desafios, dos confrontos, pois deles saímos sempre
mais fortes. Como dizia nosso ilustre Charles Chaplin: “Não devemos ter medo
dos confrontos...  até os planetas se chocam e deste caos nascem as estrelas.”



Com
amor...

Orgulho

O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que
é a fonte de todos os vícios.

                                                                         Santo  Agostinho



 Danado de sentimento esse tal de orgulho! Linha tênue existe entre seu lado bom e seu lado negativo! Eu sou ou eu sinto orgulho??? Convidados somos todos os dias a lidar com ele, e a decidir pra qual lado penderemos. Existe uma gritante diferença entre SER uma pessoa orgulhosa e SENTIR orgulho de si mesmo e das coisas que compõe sua vida. E hoje, desejo imensamente, que toda a humanidade possa cada um em seu momento se confrontar a esse respeito...Não seja orgulho... mas sinta muito orgulho. Orgulho de ser quem é, mesmo sabendo que está longe de ser perfeito;Orgulho de sentir amor, de receber amor;Orgulho por estar vivo, por representar a vida;Orgulho por poder simplesmente através da sua existência, contribuir para que o mundo seja melhor! A decisão é pessoal...faça a sua!!


Bom dia!

A vida que não passamos em revista não vale a pena viver. Sócrates


A vida que não passamos em revista não vale a pena viver.
                                                                                              Sócrates


                Sócrates, o grande filósofo, mexe com a humanidade na medida em que questiona o homem e sua consciência de si mesmo. Interessante e estimulante seu pensar. Defrontar com insatisfações não é para qualquer um. Ou melhor é para  todos. O que não é para qualquer um, é defrontar sadiamente com isso. Tem gente que se perturba no mínimo contato que tem com a  própria intimidade, com a própria verdade. Será isso covardia? O que é coragem? Penso que isso é relativo. Cada um entende como quer, ou melhor como pode. Mas prefiro pensar a coragem como a capacidade de se olhar e olhar pra vida que tem e pras coisas que compõe o viver. Isso é uma das manifestações da coragem.  Poder dizer a si mesmo que seja o que for, aconteça o que acontecer, venha o que vier, se encontrará nem sempre pronto, mas certamente sempre muito disponível  para encarar. Poder acordar a cada dia e saber que está em sintonia consigo mesmo e que das angústias e dos erros fará seu crescimento; das alegrias e conquistas seu bálsamo. E assim viver... olhando de frente pra nós mesmos. Se está ruim a vida, olhe para ver onde pode mudar; se está boa a vida olhe para sentir o grande prazer de acertar. Mas de qualquer maneira olhe! Olhe sempre! Olhe tudo! Afinal, nossa vida é sempre um resultado daquilo que temos a coragem de arriscar. Dê tons vibrantes...outros momentos tons cinzas...em outros ainda tons leves...mas dê seu tom. E no final vai entender que tudo junto forma um belíssimo arco-iris..não exatamente com  as cores originais mas com o que de seu podemos chamar de original... e isso não será lindo??

"Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!" Mário Quintana


Shakespeare
“Se os seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe pois eles estão no lugar certo. Agora construa os alicerces.”
Tem gente que acha que o erro está em sonhar demais, ou  sonhar alto demais.... desastroso engano!!! Sonhar mantêm o ser humano vivo... e sonhar alto o movimenta. Não  posso negar que algumas pessoas permanecem quase uma vida inteira no campo do sonhar e  nunca passam para o campo do realizar. Isso é deveras complicado. Sonhar é vida quando se torna um caminho para  a realização; e é uma doença quando permanece como um estado de parasitismo. Muitas pessoas vivem como parasitas no seu desejo...grudam neles...amam...mas nunca se lançam na realização. Preferem não correr riscos. Sim porque, se lançar na busca pela realização de sonhos exige coragem... e sabe porquê? Porque ao se lançar você corre o risco de se deparar com a fragilidade do sonho... você corre o risco de não conseguir...ou até de conseguir e ver que não era tão bom assim. Isso gera um vazio...o que chamamos de vazio existencial... esse que grita através da  angústia e por angústia. Nesse momento do vazio você olha e acha que tudo está perdido...não vê perspectivas e tem duas opções; ou faz um quadro de depressão ou tem que se ver criando novos sonhos, determinando novos objetivos. Sim porque os sonhos buscados que não deram certo, já não te satisfazem mais e não dá para sustentar seus anseios pela felicidade. Por isso sonhar não é tão simples... simples será se decidir ficar no romantismo do sonho e nunca da realização deles. Mas este desafio é por demais estimulante visto pelos mais atirados , aqueles que não tem medo de se decepcionar. Quando você não tem medo da decepção, toda busca é encantadora. Todo sonho é mágico. Toda realização é um presente e toda frustração um aprendizado. Sonhar alto é para quem confia em si mesmo. Sonhar alto não é coisa de imaturos como muitos acreditam (ou pregam essa teoria por serem medrosos e inseguros?!?). Sonhar alto é coisa de pessoa corajosa.  Porque o problema não está em sonhar alto, mas sim em não construir alicerces para este sonho. Se ficamos somente no delírio do prazer deixamos vazio o espaço da base, da construção, do real. Então não é sonho alto que derruba pessoas, mas sim as próprias pessoas que não criaram as bases destes sonhos. O que derruba é a falta de alicerce e não exatamente o sonho. Mas... como nunca a culpa é do homem...divino homem...fica então a responsabilidade do tombo no sonho e no ato de sonhar... Grande cilada...  Os sonhos são alimentos e se um dia estivermos sem sonhos precisamos nos questionar se estamos vivos!!!!


“Quando se escreve podemos muito bem tocar o real, mas não o verdadeiro.” (Jacques Lacan, 1975)




 A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
                                                                              Sócrates



Caramba!!!! As vezes  fico pensando se existe algo mais complicado do que a tal da verdade! Quantos anos da minha  vida passei em busca desta tal...e só hoje, após muitos anos de busca posso dizer que estou começando a entendê-la. E malicia do destino...acreditem; somente a entendi quando me dispus a desencontrar dela. Nos desencontros acabei entendendo que jamais ela poderia estar comigo. Ela não pertence a ninguém e nunca vai pertencer. Lutamos as vezes toda uma existência para ser seu dono, e ela sabiamente nos dribla e nos mostra que para crescer precisamos desprender. Desprender de quê? Da necessidade de tê-la sempre como troféu. Algumas pessoas insistem em tê-las por inteiro...quanto engano...como são pesadas estas figuras. Aqueles que se iludem de que a possuem por completo, se perdem de si mesmo. Se mantêm incompletos, pois deixam de crescer. Quem se acha pronto e acredita deter todo o saber de viver, estaciona e permanece na incompletude vazia daqueles que não reconhecem a grandeza da proposta de SER E CRESCER. Ainda com o grande Sócrates aprendemos que “o início da sabedoria é sempre a admissão de nossa própria ignorância”. Acho que a tal da verdade, é na verdade, uma “pegadinha“ da vida. Num determinado momento de nossas vidas alguém  nos  ensina que ela existe e que devemos estar sempre com ela do nosso lado...mas não nos ensinam que ela também vai estar com todos os demais membros disso que chamamos de humanidade. E esse pequeno detalhe nos embola toda a existência, porque a partir daí vamos crescendo, brigando com o mundo e com as pessoas tentando provar que estamos com a posse daquilo que nos ensinaram ser importante...falar a verdade, estar com a verdade. Quanta luta!!! Que cansaço desnecessário!! Como é mais fácil viver quando entendemos que ela é fracionada e que cada pedacinho se encontra com alguém que compõe nossa existência. Pedacinhos que as vezes se trocam, são maleáveis, se desorganizam e rapidamente se recolocam nas nossas vidas. E assim é a bendita maturidade...nos pregando pequenas e belas surpresas como esta...de descobrir que nossas verdades existem e se completam na medida em que nos dispomos a realizar a maravilha do CONVIVER...

Amizade!


Um amigo me chamou pra ajudá-lo a na sua dor. Guardei a minha no bolso e fui...

Amizade!
Desprendimento, solidariedade, amor...o que define a amizade?
Há algo de divino no encontro entre amigos. Por muitas vezes penso na amizade como sendo o primeiro passo para o amor. Ela não está pressuposta nem mesmo nas relações consangüíneas; pode ou não estar presente nelas. E quando a amizade se faz presente nas relações familiares, faz toda a diferença. Podemos pensar que ela, a amizade acontece num caminhar mágico de entrega, confiança, cumplicidade, construída entre pessoas. Porém ela pressupõe um desafio. O desafio constante de cada ser se deparar com aquilo que o motiva verdadeiramente na entrega para o outro.
O que nos leva a deixar o mundo narcísico e embrenhar no encontro com o outro ser?
Precisamos estar muito atentos a isso na proposta  de observar se a atitude de entrega é pelo outro ou é por nós. Você pode estar perguntando como assim, e eu te respondo que há dois motivos  ou dois sentimentos que  norteiam este comportamento.  Um deles, e o melhor  podemos dizer, é quando a entrega não nos leva a desencontrar de nós de mesmos. A outra maneira é quando fazemos isso exatamente para desencontrar de nossas dores. Uma fuga de nossa realidade...uma ausência de nós mesmos naquilo que é nosso. Por falta de vontade ou  por falta  de coragem, não importa bem o motivo, muitas pessoas se embrenham na vida dos outros, não exatamente por amor e desprendimento, mas sim para justificar o porque não dão conta das suas próprias vidas. Isso é um amargo engano cometido por muitas pessoas. Adiar aquilo que nos desafia na nossa realização é boicotar a própria evolução. Porém  encontramos também muitas pessoas que conseguem agir  no primeiro modelo, no modelo do amor. E é maravilhoso despertar ou ver desabrochar em nós esta capacidade de estar com o outro; num encontro inteiro de almas, objetivando o equilíbrio de ambos. Não há sentimento no mundo que não precise ser compartilhado. Seja a dor ou o amor, seja a alegria ou a tristeza, a satisfação ou a decepção, buscamos sempre dividi-los com quem está perto. E fazemos isso de maneira consciente ou não. É ação e reação. Todos os sentimentos são impotentes se não podemos ou não temos com quem dividi-los. Ser capaz de estar com alguém nos momentos necessários sem que isso nos faça perder de nós mesmos exige amadurecimento, compromisso, fidelidade e auto- estima.  Saber que o momento dedicado ao encontro do outro é somente um momento, e que o retorno às nossas vidas é fundamental para nossa existência. Permanecer na vida do outro, é um caminho sutil (ou as vezes nem tanto ) de abandonar a própria dor. Viver a dor do outro é sempre mais fácil, porém nada existencial. Saber deslocar-se do narcisismo natural para levar o amor a alguém, sem esquecer de que por amor nos distanciamos de nossas mazelas, mas por amor devemos voltar a elas até que estejam resolvidas. O sujeito narcísico não dá conta de se estender ao outro. Sua relação com o mundo é egocêntrica e limitada. Sua dor é sempre maior e sua compreensão é exacerbada. Sabe tudo pelo simples fato de achar que já viveu sempre coisas piores. Sua ajuda caminha no ato de banalizar ou para não ser tão dura, minimizar a dor do outro em relatos vaidosos de sua própria existência.  Não é a nada disso  que me refiro na frase inicial. Quero terminar este texto ressaltando o valor de amizades verdadeiras;  o brilho, a força e a luz que eles trazem na nossa vida e que nós levamos para a dele quando nos dispomos ao grande encontro de almas. Quero terminar apostando que  a humanidade caminha para este sentimento verdadeiro, e que cada vez mais vamos ver amigos se abraçando numa única proposta de se manterem de pé, em equilíbrio e em aconchego. Acredito no fundinho do meu coração que amigos são irmãos que Deus nos permite escolher para fazer de nossa caminhada algo mais alegre, e que dos irmãos também devemos fazer amigos. Aos amigos que caminham ao meu lado, o meu mais puro amor e que possamos andar menos distraídos pela vida, para que possamos reconhecer o valor das pessoas quando cruzarem nossos caminhos.

Abraços .

Passado, presente ou futuro...em qual época você está?


Em qual época da sua vida você permanece contatado?  Isso pode parecer uma pergunta  maluca, ou sem fundamento mas posso garantir que deveríamos nos fazer sempre este questionamento. Por muitas vezes o homem permanece sobrevivente de um passado, por muitas vezes pessoas somente existem no passado! Algo nem sempre consciente... as vezes por amor...as vezes por  dor...as vezes por saudade. Seja por qual motivo for, precisamos conhecer qual nossa relação com o passado; se temos ele como lembrança e parte de nossa estória, ou se somos ele. Por vezes também podemos estar num estágio intermediário; ou seja,  nossa vida não permanece  inteiramente no passado, mas temos alguma situação nele que nos mantêm preso.  Estas situações parecem cordas; nos mantêm atrelados a sentimentos  que já não podem ou não deveriam sustentar o presente. Impedem o fluir da vida e do crescimento espiritual.  E como saber se temos isso em nossas vidas? Talvez avaliando o quanto de justificativas buscamos nele para situações atuais. Se fazemos muita coisa agora porque lá atrás houve algo que ainda justifica; é necessário repensar em qual tempo estamos pautando nossa existência.  Conseguimos vivenciar nosso presente, ou determinamos nossa vida por experiências já vividas? Quanta complexidade paira em torno do existir! Temos o risco também de nos lançar num futuro imaginário, numa tentativa maluca de torná-lo real. E porque conceituá-la como uma tentativa maluca? Porque permanecer no campo do imaginário é uma atitude maluca. Criar um mundo de sonhos, e permanecer a espera de milagres, é uma atitude que se não for inicialmente insana, pode com muita facilidade nos tornar insanos. Precisamos aprender a estabelecer nossa existência, nas três esferas de tempo; passado, presente e futuro. Dar a cada tempo o seu espaço e o seu significado; ao passado o lugar de lembranças, ao futuro o lugar de sonhos; e ao presente a real possibilidade de existir. Paulo Freire, educador reconhecido pela sabedoria nas reflexões, nos diz: “ Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar a coragem, de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.” Desengajar do passado e engajar com o futuro, na certeza plena de que a maior riqueza é o hoje. É hoje que posso me libertar do passado que aniquila e projetar um futuro que encanta. Entender definitivamente que rotina desencanta, mata, fere, machuca, minimiza. E fica a dica; não se atrele a nada que impeça seu vôo. Não se  detenha em  excessivas lembranças e nem se perca sonhando demais, simplesmente faça o bastante para que sua existência no hoje seja o ponto alto de amor!
“Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.” Paulo Freire.