A felicidade não está em
viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor
vive, porque a vida não mede o tempo, mas o emprego que dela fazemos.
Gandhi
Gandhi
O amor é a mais bela
significação que podemos dar à nossa existência. Aliás não há outra maneira de
significá-la. Amor por nós, por aqueles que vêm através de nós, por aqueles que
vieram antes de nós. Também por aquilo que fazemos, por aquilo que vivemos, por
aquilo que temos e por aquilo que perdemos.Mas
quem entende o amor? Tido por muitos como a força que move o mundo, ele é
debatido, estudado, virado, revirado e vivido intensamente, mas ninguém
consegue compreender os mecanismos que guiam esse intrincado sentimento. Por
essa aura de mistério que o cerca e porque ele é um dos temas que mais fascinam
os homens desde o início dos tempos, não param de surgir teorias e
especialidades criadas com o intuito de tentar explicá-lo. Sem sucesso, diga-se
de passagem. Mas da ânsia pelo esclarecimento do que parece ser incompreensível
e das infinitas discussões do assunto surgem consensos. Alguns o entendem como
extensão da amizade, outros o associam ao sexo, outros ainda se apresentam
descrentes de sua existência. É ampla e
vasta sua compreensão por uma única razão; é um sentimento singular,
determinado por inúmeras experiências afetivas que temos no decorrer de nossa
existência e por que não dizer de muitas existências. Para deixá-lo ainda mais intrigante, ele se
faz presente de maneira dúbia e conflitante, sempre uma experiência mista de
sentimentos. Mesclam-se ou alternam-se carência e segurança; certezas e
incertezas, dor e prazer, fragilidade e força. Como vivenciam sentimentos contraditórios os
apaixonados, ora ansiosos e insatisfeitos, ora sentido-se plenos e completos! Enfim, é fácil para quem ama, se perceber nesta roda
viva de sentimentos. No amor, não há a
batalha vencida, não há o fim da roda
viva, não há o momento da “coisa conquistada”. A conquista é diária, a
construção é minuciosa, eterna, delicada, composta de momentos sutis, palavras
pequenas mas fortes, gestos delicados porém marcantes. Mahatma Gandhi, nos diz que “a alegria está na luta, na tentativa, no
sofrimento envolvido e não na vitoria propriamente dita”. É um acalento ao
eterno processo do amor. O caminho constante
(mas encantador) da sedução, da conquista, do desejo. O medo da perda, fazendo
com que nos melhoremos na capacidade da conquista; e que nos torna melhores
como ser humano na medida em que nos torna mais atentos ao outro. Mas aqui nos
deparamos com um desafio; o desafio de não colocar como pino central de nossa
existência ninguém mais do que nós mesmos. O lugar central é de cada um e de ninguém mais. Amar ,( e na
tentativa de se buscar o que de mais puro pode se aproximar o entendimento do
amor), é saber colocar este amor no lugar certo, protegido das nossas mazelas,
onde não seja sufocado, abduzido, deturpado. O amor foi criado para que os
seres pudessem se sentir mais fortes para enfrentar os desafios da existência,
e não para tirar a força dela. Colocar o amor por alguém no lugar errado ( e
por ai podemos entender no lugar central
da própria vida), é fadá-lo ao fracasso, pois neste lugar está (ou deveria
estar) a nossa essência; nossa força e nossa fraqueza, aquilo que é meu e que nem
sempre preciso compartilhar( na verdade muitas delas eu preciso é vencer);
neste lugar somente pode estar o amor por si mesmo. Por isso viver o amor
talvez seja tão complicado; pois devemos permitir que ele esteja em todos os
“compartimentos” do nosso eu, porém fragmentado na sua significação ou na sua
destinação. Ao amor por si mesmo, o lugar central. Ao amor por alguém, um
lugar especial, mas não central. Um lugar onde ele possa ser na sua
singularidade, na sua essência, protegido das mazelas que cada um traz na sua
estória; protegido de nossos erros, de
nossas cobranças, de nossa necessidade compulsiva e doentia de querer
possuir algo que ninguém até hoje nem mesmo compreendeu e decifrou, que é o
amor. Um lugar que permita aos envolvidos pelo tão desafiador sentimento, a
beleza de existir e ao mesmo tempo ofereça à humanidade a grandiosidade de
assistir ao mais belo espetáculo do amor, que é a fusão daqueles que se amam sem precisar
possuir, sem precisar domar, e que se concentram em simplesmente AMAR.
“...aprendi
que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso
apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E
ter paciência para que a vida faça o
resto”. William Shakespeare.
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