quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amizade!


Um amigo me chamou pra ajudá-lo a na sua dor. Guardei a minha no bolso e fui...

Amizade!
Desprendimento, solidariedade, amor...o que define a amizade?
Há algo de divino no encontro entre amigos. Por muitas vezes penso na amizade como sendo o primeiro passo para o amor. Ela não está pressuposta nem mesmo nas relações consangüíneas; pode ou não estar presente nelas. E quando a amizade se faz presente nas relações familiares, faz toda a diferença. Podemos pensar que ela, a amizade acontece num caminhar mágico de entrega, confiança, cumplicidade, construída entre pessoas. Porém ela pressupõe um desafio. O desafio constante de cada ser se deparar com aquilo que o motiva verdadeiramente na entrega para o outro.
O que nos leva a deixar o mundo narcísico e embrenhar no encontro com o outro ser?
Precisamos estar muito atentos a isso na proposta  de observar se a atitude de entrega é pelo outro ou é por nós. Você pode estar perguntando como assim, e eu te respondo que há dois motivos  ou dois sentimentos que  norteiam este comportamento.  Um deles, e o melhor  podemos dizer, é quando a entrega não nos leva a desencontrar de nós de mesmos. A outra maneira é quando fazemos isso exatamente para desencontrar de nossas dores. Uma fuga de nossa realidade...uma ausência de nós mesmos naquilo que é nosso. Por falta de vontade ou  por falta  de coragem, não importa bem o motivo, muitas pessoas se embrenham na vida dos outros, não exatamente por amor e desprendimento, mas sim para justificar o porque não dão conta das suas próprias vidas. Isso é um amargo engano cometido por muitas pessoas. Adiar aquilo que nos desafia na nossa realização é boicotar a própria evolução. Porém  encontramos também muitas pessoas que conseguem agir  no primeiro modelo, no modelo do amor. E é maravilhoso despertar ou ver desabrochar em nós esta capacidade de estar com o outro; num encontro inteiro de almas, objetivando o equilíbrio de ambos. Não há sentimento no mundo que não precise ser compartilhado. Seja a dor ou o amor, seja a alegria ou a tristeza, a satisfação ou a decepção, buscamos sempre dividi-los com quem está perto. E fazemos isso de maneira consciente ou não. É ação e reação. Todos os sentimentos são impotentes se não podemos ou não temos com quem dividi-los. Ser capaz de estar com alguém nos momentos necessários sem que isso nos faça perder de nós mesmos exige amadurecimento, compromisso, fidelidade e auto- estima.  Saber que o momento dedicado ao encontro do outro é somente um momento, e que o retorno às nossas vidas é fundamental para nossa existência. Permanecer na vida do outro, é um caminho sutil (ou as vezes nem tanto ) de abandonar a própria dor. Viver a dor do outro é sempre mais fácil, porém nada existencial. Saber deslocar-se do narcisismo natural para levar o amor a alguém, sem esquecer de que por amor nos distanciamos de nossas mazelas, mas por amor devemos voltar a elas até que estejam resolvidas. O sujeito narcísico não dá conta de se estender ao outro. Sua relação com o mundo é egocêntrica e limitada. Sua dor é sempre maior e sua compreensão é exacerbada. Sabe tudo pelo simples fato de achar que já viveu sempre coisas piores. Sua ajuda caminha no ato de banalizar ou para não ser tão dura, minimizar a dor do outro em relatos vaidosos de sua própria existência.  Não é a nada disso  que me refiro na frase inicial. Quero terminar este texto ressaltando o valor de amizades verdadeiras;  o brilho, a força e a luz que eles trazem na nossa vida e que nós levamos para a dele quando nos dispomos ao grande encontro de almas. Quero terminar apostando que  a humanidade caminha para este sentimento verdadeiro, e que cada vez mais vamos ver amigos se abraçando numa única proposta de se manterem de pé, em equilíbrio e em aconchego. Acredito no fundinho do meu coração que amigos são irmãos que Deus nos permite escolher para fazer de nossa caminhada algo mais alegre, e que dos irmãos também devemos fazer amigos. Aos amigos que caminham ao meu lado, o meu mais puro amor e que possamos andar menos distraídos pela vida, para que possamos reconhecer o valor das pessoas quando cruzarem nossos caminhos.

Abraços .

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