quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

“Quando se escreve podemos muito bem tocar o real, mas não o verdadeiro.” (Jacques Lacan, 1975)




 A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
                                                                              Sócrates



Caramba!!!! As vezes  fico pensando se existe algo mais complicado do que a tal da verdade! Quantos anos da minha  vida passei em busca desta tal...e só hoje, após muitos anos de busca posso dizer que estou começando a entendê-la. E malicia do destino...acreditem; somente a entendi quando me dispus a desencontrar dela. Nos desencontros acabei entendendo que jamais ela poderia estar comigo. Ela não pertence a ninguém e nunca vai pertencer. Lutamos as vezes toda uma existência para ser seu dono, e ela sabiamente nos dribla e nos mostra que para crescer precisamos desprender. Desprender de quê? Da necessidade de tê-la sempre como troféu. Algumas pessoas insistem em tê-las por inteiro...quanto engano...como são pesadas estas figuras. Aqueles que se iludem de que a possuem por completo, se perdem de si mesmo. Se mantêm incompletos, pois deixam de crescer. Quem se acha pronto e acredita deter todo o saber de viver, estaciona e permanece na incompletude vazia daqueles que não reconhecem a grandeza da proposta de SER E CRESCER. Ainda com o grande Sócrates aprendemos que “o início da sabedoria é sempre a admissão de nossa própria ignorância”. Acho que a tal da verdade, é na verdade, uma “pegadinha“ da vida. Num determinado momento de nossas vidas alguém  nos  ensina que ela existe e que devemos estar sempre com ela do nosso lado...mas não nos ensinam que ela também vai estar com todos os demais membros disso que chamamos de humanidade. E esse pequeno detalhe nos embola toda a existência, porque a partir daí vamos crescendo, brigando com o mundo e com as pessoas tentando provar que estamos com a posse daquilo que nos ensinaram ser importante...falar a verdade, estar com a verdade. Quanta luta!!! Que cansaço desnecessário!! Como é mais fácil viver quando entendemos que ela é fracionada e que cada pedacinho se encontra com alguém que compõe nossa existência. Pedacinhos que as vezes se trocam, são maleáveis, se desorganizam e rapidamente se recolocam nas nossas vidas. E assim é a bendita maturidade...nos pregando pequenas e belas surpresas como esta...de descobrir que nossas verdades existem e se completam na medida em que nos dispomos a realizar a maravilha do CONVIVER...

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