Em qual época da sua vida você permanece contatado? Isso pode parecer uma pergunta maluca, ou sem fundamento mas posso garantir
que deveríamos nos fazer sempre este questionamento. Por muitas vezes o homem
permanece sobrevivente de um passado, por muitas vezes pessoas somente existem
no passado! Algo nem sempre consciente... as vezes por amor...as vezes por dor...as vezes por saudade. Seja por qual
motivo for, precisamos conhecer qual nossa relação com o passado; se temos ele
como lembrança e parte de nossa estória, ou se somos ele. Por vezes também podemos estar num estágio
intermediário; ou seja, nossa vida não
permanece inteiramente no passado, mas
temos alguma situação nele que nos mantêm preso. Estas situações parecem cordas; nos mantêm
atrelados a sentimentos que já não podem
ou não deveriam sustentar o presente. Impedem o fluir da vida e do crescimento
espiritual. E como saber se temos isso
em nossas vidas? Talvez avaliando o quanto de justificativas buscamos nele para
situações atuais. Se fazemos muita coisa agora porque lá atrás houve algo que
ainda justifica; é necessário repensar em qual tempo estamos pautando nossa
existência. Conseguimos vivenciar nosso
presente, ou determinamos nossa vida por experiências já vividas? Quanta
complexidade paira em torno do existir! Temos o risco também de nos lançar num
futuro imaginário, numa tentativa maluca de torná-lo real. E porque
conceituá-la como uma tentativa maluca? Porque permanecer no campo do
imaginário é uma atitude
maluca. Criar um mundo de sonhos, e permanecer a espera de milagres, é uma
atitude que se não for inicialmente insana, pode com muita facilidade nos tornar
insanos. Precisamos aprender a estabelecer nossa existência, nas três esferas
de tempo; passado, presente e futuro. Dar a cada tempo o seu espaço e o seu
significado; ao passado o lugar de lembranças, ao futuro o lugar de sonhos; e ao
presente a real possibilidade de existir. Paulo Freire, educador reconhecido
pela sabedoria nas reflexões, nos diz: “ Ai daqueles que pararem com sua capacidade de
sonhar, de invejar a coragem, de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em
lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o
hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de
rotina.” Desengajar do passado e engajar com o futuro, na certeza plena de que
a maior riqueza é o hoje. É hoje que posso me libertar do passado que aniquila
e projetar um futuro que encanta. Entender definitivamente que rotina
desencanta, mata, fere, machuca, minimiza. E fica a dica; não se atrele a nada
que impeça seu vôo. Não se detenha
em excessivas lembranças e nem se perca
sonhando demais, simplesmente faça o bastante para que sua existência no hoje
seja o ponto alto de amor!
“Gosto de
ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do
inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda
entre o ser condicionado e o ser determinado.” Paulo Freire.
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