«Aquele que tiver o amor dentro de si, é louco»,
diz Sófocles. E, na mesma linha, Shakespeare: «Amantes e loucos têm cérebros
tão fervilhantes, tão cheios de fantasias, que superam tudo o que a fria razão
pode entender.
O amor é para todos? Talvez fosse
mais apropriado perguntar; todos estão para o amor? O que esperamos do amor? Fogo, paixão, serenidade,
completude, alegrias,... são tantas as expectativas em torno deste desafiante
sentimento. Para complicar um pouco mais ele tem várias
nuances... nunca aparece da mesma forma.
Sentimento estranho este.... sempre diferente, sempre modificando a si próprio
e a quem o sente. Força que rege, que neutraliza, que incendeia, que treme, que
transborda, que sufoca, que dói, que faz rir, que faz chorar, que faz acreditar
que somos os donos do mundo e que podemos tudo, mas que também faz temer, faz
sofrer, faz agitar. Engraçado que a única coisa que não consigo associar ao
amor é a estagnação. Ele nunca faz parar. Somos leões e leoas quando se trata
do amor. Nos sentimos encorajados a viver, a ousar, a rir, a enfrentar. Quando
o resultado não for este precisamos pensar se é amor. Amor por nós mesmos então, é algo explosivo. Nos coloca diante da vida e a olhamos com
olhos de felino ; firme, forte, determinado.
Tudo muda...o riso, o sorriso, o olhar e a beleza. Mas o amor não vive
sozinho! Ele precisa de acompanhamentos...
Todo amor que é projetado para
uma vida inteira, sofre as conseqüências deste engano, pois o amor não pode ser projetado para toda uma vida!!!!
Aliás esta é uma das fragilidades da forma imperfeita de existir do amor ( pelo
menos ainda nesta fase imperfeita da humanidade); ele tem vida curta. O amor
tem que ser projetado por um dia...para cada dia! Ele precisa de
acompanhamentos que o faça nascer a cada dia. Um olhar, um toque especial, um
carinho inesperado, qualquer coisa! Renascido, ele nos faz renascer , ou então
ao contrário, não importa muito a ordem das coisas, o que importa é que ele não
sobrevive à estagnação. Como fazer ? Há que se descobrir cada um a sua maneira.
Só o que sei é que precisamos a cada final de dia, deixar ir com a tarde, tudo
aquilo que por algum motivo possa nos emperrar o progresso e a jornada. Experiências frustrantes, decepções, desgostos,
dificuldades, tristeza...nada disso combina com o amor. Mas como não podemos
evitar sentir estes desalinhos, então ao menos devemos jogá-los fora junto com
o dia que se encerra. E no outro dia,
novamente, estar pronto pra vida... livre de qualquer amarra, aberto para o
sol, para a chuva, para o amor ou para a dor. Isso também é amor!!!! Assim é que
nos tornamos fortes...quem pede só o amor, não se prepara para a dor, e
a existência desta é incontestável. Não depende do nosso querer!!!! O amor é movimento, e sendo assim, para sentir o
amor, precisamos nos dispor ao movimento. Lidar com a conquista diária, com a
sedução, de forma leve, brincalhona e prazerosa. Amor em movimento exige pessoas em movimento.
Quem permanece naquilo que foi um dia,
não dá conta de acompanhar as transformações do amor e suas diárias
necessidades. Viva, reviva, morra,
renasça, crie e se recrie a cada dia, e dê a sua vida a possibilidade de girar.
Deixe na experiência aquilo que não deu certo, e traga para o novo dia somente
as possibilidades de acerto, a coragem, o amor e a força da vida. Recomece
sempre. O que não deu certo ontem, pode ser que hoje dê. Não se esqueça que ao
renascer, nos deparamos com um novo dia,
e melhor do que isso, somos diferentes do que fomos ontem. Viva, transborde, descabele, grite, gire,
cante e dance e diga pra você mesma que tudo, definitivamente tudo, vale a
pena, principalmente quando estamos e agimos por amor. E só pra encerrar, o
amor também dói! Quem diz que o amor não
dói está mentindo. Dói e dói muito, porque ainda não estamos prontos para amar
de maneira tão sublime onde não cabe a
dor. Por isso se quer amar, tenha coragem! Mas saiba, que esta dor, é a mais
bela das dores; aquela que faz da nossa existência, algo pra se ter outro dos mais belos sentimentos...a
saudade!!
Abraços,
Luciene
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