Deparei logo cedo hoje com esta frase de Nietzsche:
“Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue
suportar.”
O que é isso? Não sei se entendi
bem, mas será que podemos de alguma maneira nos furtar do quanto de verdade que
a vida traz e escolher o quanto conseguimos suportar? É intrigante refletir
sobre esta frase, pois seria a vitória do Homem sobre a angústia e todos as demais “dores da alma”. A princípio parece ser esta escolha de
ordem muito prática e racional , mas desconfio que sua prática demanda algo de
extrema intimidade; o conhecimento de nós mesmos. Se cada um de nós, se
perguntar qual a dose de verdade conseguimos suportar teríamos a resposta? Provavelmente não. Isso
me reporta a inúmeros devaneios...todos na busca de entender que tipo de
relação estabelecemos com nosso eu, para que possamos chegar após muitos anos
de existência sem saber nem ao menos quanto da verdade conseguimos
suportar. Impossível não pensar no
grande filósofo Sócrates, com sua famosa frase; Conhece-te a ti mesmo. Que
grande mistério somos... mistério tamanho que nem nós mesmos conseguimos nos
desvendar. Ou se conseguimos é depois de muitas lutas. De que maneira ou em
que momento de nossa existência
começamos a nos esconder de nós mesmos? Em que momento começamos a nos
distanciar das nossas verdades...? A fragilidade humana se constitui a partir
do distanciamento do homem dele mesmo. Na busca por entender a vida e as coisas
da vida, deixamos de lado o que de mais importante tem na vida; A PRÓPRIA VIDA,
que de maneira filosófica podemos chamar de existência. Muitas vezes nos
achamos fortes demais... outras fracos demais...e neste desencontro do que
realmente somos e podemos, acabamos nos perdendo. Queremos verdades, queremos
liberdade e quando as conseguimos muitas vezes percebemos que criamos grandes
armadilhas pra gente mesmo. Muitas
pessoas passam a vida em busca de grandes verdades.... e são dois os questionamentos:
O que é a verdade? E se elas existem
mesmo, quanto delas posso suportar? Talvez a única verdade que exista, seja a
de que não existe verdade absoluta; que a verdade é relativa, é pessoal,
particular, íntima. Ela é construída por cada ser de acordo com sua visão de
mundo, com sua construção ética e moral; características construídas através de
experiências particulares no processo de constituição do sujeito. Jung,
psiquiatra e fundador da psicologia analítica, tem uma teoria muito
interessante denominada processo de
individuação. De forma bom popular é o
processo de ser e existir cada vez em mais conformidade com aquilo que se é;
isso seria o processo de individuação. E por incrível que pareça, esta é a maior dificuldade que as
pessoas encontram no processo de
existir; a dificuldade de ser e existir em conformidade com aquilo que se é.
Fico constantemente em altos devaneios sobre isso e muitas vezes me pego
pensando no porquê disso tudo. Lembrando ainda Sócrates, na citação de que a
solução para a humanidade é se conhecer,
fico me perguntando porque não nos jogamos de uma vez nesta busca? Penso que seja
o maior dos encontros....eu comigo mesmo. Saber das minhas dores, dos meus
sonhos, das minhas alegrias, daquilo que me destrói e daquilo que me refaz...
isso sim é autonomia não acha? Muitas pessoas alcançam na vida autonomia para
liderar, para tomas grandes decisões, mas não chegam nem perto da grande e
maior das conquistas que é a autonomia de SER. E neste jogo de TER mas não SER, o homem adoece. Adoece porque
não se conhece...isso não parece loucura? Mas é assim que acontece. Talvez
possamos chegar a conclusão um dia que não existem doenças, mas sim doentes. E
neste momento deixaremos de nos preocupar, ou pelo menos de priorizar a doença,
e entenderemos a necessidade de focar no que somos.
Capacidades a parte, devemos
refletir que nos distanciamos e nos perdemos do nosso eu, principalmente quando
ao invés de tentar descobrir quanto de verdade CONSEGUIMOS suportar, insistimos
em viver pautados em quanto da verdade QUEREMOS suportar.
Abraços.
A ilusão muitas vezes é bem grata... mas quem usa dela, não vive! Sufoca-se com a própria mentira.
ResponderExcluirÉ bem verdade isso amiga,talvez cause menos dano se acharmos a medida certa de nos iludir,pois muitas vezes precisamos dela para nos proteger em momentos de fragilidade.
ResponderExcluirexcelente visão, os termos apresentado é de total reflexão e bem avaliados, parabéns!
ResponderExcluir"só uma mente confusa escolhe"
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