quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

“Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar.”


Deparei logo cedo hoje com esta frase de Nietzsche:
“Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar.”
O que é isso? Não sei se entendi bem, mas será que podemos de alguma maneira nos furtar do quanto de verdade que a vida traz e escolher o quanto conseguimos suportar? É intrigante refletir sobre esta frase, pois seria a vitória do Homem sobre a angústia  e todos as demais “dores da  alma”. A princípio parece ser esta escolha de ordem muito prática e racional , mas desconfio que sua prática demanda algo de extrema intimidade; o conhecimento de nós mesmos. Se cada um de nós, se perguntar qual a dose de verdade conseguimos suportar  teríamos a resposta? Provavelmente não. Isso me reporta a inúmeros devaneios...todos na busca de entender que tipo de relação estabelecemos com nosso eu, para que possamos chegar após muitos anos de existência sem saber nem ao menos quanto da verdade conseguimos suportar.  Impossível não pensar no grande filósofo Sócrates, com sua famosa frase; Conhece-te a ti mesmo. Que grande mistério somos... mistério tamanho que nem nós mesmos conseguimos nos desvendar. Ou se conseguimos é depois de muitas lutas. De que maneira ou em que  momento de nossa existência começamos a nos esconder de nós mesmos? Em que momento começamos a nos distanciar das nossas verdades...? A fragilidade humana se constitui a partir do distanciamento do homem dele mesmo. Na busca por entender a vida e as coisas da vida, deixamos de lado o que de mais importante tem na vida; A PRÓPRIA VIDA, que de maneira filosófica podemos chamar de existência. Muitas vezes nos achamos fortes demais... outras fracos demais...e neste desencontro do que realmente somos e podemos, acabamos nos perdendo. Queremos verdades, queremos liberdade e quando as conseguimos muitas vezes percebemos que criamos grandes armadilhas pra gente mesmo.  Muitas pessoas passam a vida em busca de grandes verdades.... e são dois os questionamentos:  O que é a verdade? E se elas existem mesmo, quanto delas posso suportar? Talvez a única verdade que exista, seja a de que não existe verdade absoluta; que a verdade é relativa, é pessoal, particular, íntima. Ela é construída por cada ser de acordo com sua visão de mundo, com sua construção ética e moral; características construídas através de experiências particulares no processo de constituição do sujeito. Jung, psiquiatra e fundador da psicologia analítica, tem uma teoria muito interessante denominada  processo de individuação. De forma bom popular  é o processo de ser e existir cada vez em mais conformidade com aquilo que se é; isso seria o processo de individuação. E por incrível  que pareça, esta é a maior dificuldade que as pessoas encontram no  processo de existir; a dificuldade de ser e existir em conformidade com aquilo que se é. Fico constantemente em altos devaneios sobre isso e muitas vezes me pego pensando no porquê disso tudo. Lembrando ainda Sócrates, na citação de que a solução  para a humanidade é se conhecer, fico me perguntando porque não nos jogamos de uma vez nesta busca? Penso que seja o maior dos encontros....eu comigo mesmo. Saber das minhas dores, dos meus sonhos, das minhas alegrias, daquilo que me destrói e daquilo que me refaz... isso sim é autonomia não acha? Muitas pessoas alcançam na vida autonomia para liderar, para tomas grandes decisões, mas não chegam nem perto da grande e maior das conquistas que é a autonomia de SER. E neste jogo de TER  mas não SER, o homem adoece. Adoece porque não se conhece...isso não parece loucura? Mas é assim que acontece. Talvez possamos chegar a conclusão um dia que não existem doenças, mas sim doentes. E neste momento deixaremos de nos preocupar, ou pelo menos de priorizar a doença, e entenderemos a necessidade de focar no que somos.
Capacidades a parte, devemos refletir que nos distanciamos e nos perdemos do nosso eu, principalmente quando ao invés de tentar descobrir quanto de verdade CONSEGUIMOS suportar, insistimos em viver pautados em quanto da verdade QUEREMOS suportar. 
Abraços.

4 comentários:

  1. A ilusão muitas vezes é bem grata... mas quem usa dela, não vive! Sufoca-se com a própria mentira.

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  2. É bem verdade isso amiga,talvez cause menos dano se acharmos a medida certa de nos iludir,pois muitas vezes precisamos dela para nos proteger em momentos de fragilidade.

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  3. excelente visão, os termos apresentado é de total reflexão e bem avaliados, parabéns!

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  4. "só uma mente confusa escolhe"

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